Esperança carissíma: Anvisa aprova medicamento que ataca a causa do Alzheimer
Por Mendes Aguiar - São Carlos/SP, 19 de abril de 2026
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do lecanemabe (nome comercial Leqembi), o primeiro medicamento disponível no país capaz de modificar a progressão da doença de Alzheimer, em vez de apenas mascarar os sintomas.
O que torna este remédio diferente?
Até pouco tempo, os tratamentos disponíveis focavam apenas em melhorar a comunicação entre os neurônios restantes. O lecanemabe vai além: ele é um anticorpo monoclonal projetado para entrar no cérebro e "limpar" as placas de proteína beta-amiloide. O acúmulo dessa proteína é considerado um dos principais vilões responsáveis pela morte dos neurônios e pela perda de memória.
Resultados na prática
Nos testes clínicos, o medicamento demonstrou ser capaz de retardar o declínio cognitivo em 27% ao longo de 18 meses. Na prática, isso significa dar ao paciente mais tempo de autonomia para realizar tarefas cotidianas, como cuidar das próprias finanças, dirigir ou manter conversas complexas com a família.
Quem pode usar?
É fundamental destacar que o lecanemabe não é uma "cura" para todos os casos. Ele foi aprovado especificamente para:
Estágio Inicial: Pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve.
Confirmação Bioquímica: É necessário comprovar a presença de placas amiloides no cérebro através de exames avançados, como o PET amiloide ou a análise do líquor espinhal.
Logística e Acesso
O tratamento exige paciência e infraestrutura. O paciente deve receber infusões intravenosas a cada duas semanas em clínicas ou hospitais. Além disso, o monitoramento por ressonância magnética é constante para garantir a segurança e evitar efeitos colaterais, como inchaços cerebrais temporários.
O próximo grande desafio agora é o econômico. Com a aprovação da Anvisa, o foco se volta para a definição do preço final e as discussões sobre a inclusão do medicamento no SUS e no rol de procedimentos dos planos de saúde.
O valor do lecanemabe (Leqembi) no Brasil foi recentemente definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O custo mensal do medicamento para um paciente de 70 kg varia entre R 11.075,62, dependendo das taxas e do ICMS de cada estado.
O custo total do tratamento é significativamente mais alto, pois envolve gastos adicionais além da compra do remédio. Estima-se que o investimento anual possa ser de R 269 mil.
Custos do Tratamento
O tratamento completo engloba diversos fatores que elevam o valor final:
Medicamento: Aplicação intravenosa a cada 15 dias (duas vezes ao mês), com preço médio de R$ 11 mil mensais já com impostos.
Centros de Infusão: O remédio deve ser administrado obrigatoriamente em ambiente hospitalar ou clínicas especializadas, o que gera custos de aplicação e estadia ambulatorial.
Exames de Monitoramento: É necessário realizar ressonâncias magnéticas frequentes para monitorar efeitos colaterais, como possíveis inchaços ou micro hemorragias cerebrais.
Diagnóstico Avançado: Antes de iniciar, o paciente deve realizar exames caros como o PET amiloide ou análise de líquor para confirmar se é elegível ao tratamento.
Opções e Cobertura
Acesso: Atualmente, esses novos tratamentos não são oferecidos pelo SUS e não possuem previsão de cobertura obrigatória pelos planos de saúde.
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